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"A gagueira pode ser vista como um enorme quebra-cabeça a se montar”, já dizia Jakubovicz (2009). Mas qual a sua causa? Pensando que a ga-gueira sempre começa na infância, é então permitido esclarecer como ela surge e se mantém ao longo do tempo. Para a Organização Mundial da Saúde, a gagueira é uma ruptura no ritmo da fala em que o indivíduo sabe precisamente o que deseja dizer, mas, ao mesmo tempo, é incapaz de fazê-lo em função de movimentos involuntários dos órgãos da fala e, por isso, não controláveis.
Como características visuais e auditivas, temos: repetição de letras, sílabas e posição de lábios fixos ou trêmulos, pausas silenciosas, frases incompletas, esforço para falar, entre outros. Características não observadas: conflitos para falar, medo das palavras, sentimento de vergonha ou frustração, ansiedade, irritação, confusão, entre outros.
É muito importante estabelecer com cuidado o que é normal e o que é anormal na fa-la para depois, se possível, definir os caminhos a seguir. Uma vez estabelecido se temos ou não gagueira, existem dois caminhos: intervenção indireta – aconselhamento aos pais sobre como lidar com a dificuldade e evitar que ela se desenvolva –, e intervenção direta, fazendo terapia. A maneira de falar é normal de dez até 12 disfluências em cem palavras ditas, sem contar: “tipo assim”, “ai”, já que pessoas usam esse recurso demasiado, e não deve haver envolvimen-to corporal/esforço para falar. É anormal mais de 12 disfluências em cem palavras, com esforço motor para falar, envol-vimento do corpo e/ou face na hora de falar, e mostrar medo de falar certas palavras.
A avaliação é feita em duas ou mais sessões, dependendo do terapeuta, e cabe a ele usar sua sensibilidade clínica para interferir ou tirar conclusões da melhor maneira possível. Gaguejar é um círculo vicioso e a terapia tentará fazer com que essa situação ocorra de modo diferente; afinal, cada indivíduo é único e suas causas diferenciadas. O papel do terapeuta é colocar uma zona de segurança em que a gagueira seja livre de frustração e penalidade. Isso não quer dizer que reforços negativos ou punições não possam ser usados. A penalidade para o gago é interromper sua fala, é desviar os olhos quando ele gagueja, é não aceitar sua gagueira. A punição é um reforço dado após o comportamento, visando a modificação.
Se você tem, ou alguém que conheça apresenta esta dificuldade, você não está sozinho. Agende já uma consulta!
Cíntia Fabiane Massarenti é fonoaudióloga (11-4586-2729)