Lombalgia: por que esta dor agora?
Walter Santos Abreu Ferraresi

"Doutor, estou travado!”. Esta queixa é comum no setor de ortopedia do pronto-socorro, bem como responsável pela maioria dos atestados e faltas das atividades laborati-vas de empresas, sendo assim causa de demissão do empregado.
Mas o que significa, do ponto de vista médico, o termo comum ‘travado’? O paciente está com uma atitude postural de defesa à dor, ou seja, antálgi-ca e, em algumas vezes, não é perceptível ao olhar do leigo, pois em alguns casos esta dor já perdura por mais de três meses, tornando-se uma lombalgia crônica. Este paciente caracteriza-se por um semblante de tristeza (depressão), desânimo, ansiedade, descrente e entregue à vida e aos atendimentos de puramente medicações intramusculares e atestados, e muitos vêm a nós pedindo para entrar no INSS ou aposentadoria, ou relatando que tratamento de rotina não surte mais efeito e quer ser operado.
Uma dor nas costas ou na região dorsal (torácica e lombar) que permanece estacionada ao local e sem irradiações para os membros superiores ou inferiores e sem parestesia (formigamentos ou anestesia), e que apenas nos dá a sensação de queimação e agulhada local, não tem tanto problema imediato, e podemos resolvê-la de maneira conservadora, sem intervenção cirúrgica.
Nas pacientes gestantes pioram as dores. Por quê? Com o aumento da circunferência abdominal e um não fortalecimento da região dorsal torácica e lombar, há um desarranjo mecânico. Sendo a região abdominal mais pesada e a região dorsal mais fraca, a região mais fraca tende a fazer uma báscula para trás da pelve compensatória. E, também, devido aos encurtamentos musculares posteriores que levam a uma lordose e, consequentemente, às dores. É necessário um programa de fisioterapia analgésica, RPG (visando ao alongamento da musculatura posterior dos membros inferiores), pilates e até mesmo yoga.
Portanto, há indicação da acupuntura no tratamento (conservador) da lombalgia, com resultados surpreendentes no alívio da dor e equilíbrio emocional. Mas enfatizo que o sucesso depende da atenção que recebe o paciente, com todos os esclarecimentos acerca do seu problema e possibilidades de cura e melhora.
Meu trabalho é particular e individual.

Walter Santos Abreu Ferraresi (TEOT 5863- CRM 73924-SP) tem título de Especialista em Ortopedia e Traumatologia pela S.B.O.T. e Acupuntura pela A.M.B (11-9953-3486 e 2816-3615, ferraresi_walter@ig.com.br)