O que está acontecendo com as nossas meninas?
Luci Mara Marin

Recentemente, um jornal local publicou extensa matéria sobre meninas adolescentes que fogem de casa e se envolvem com a delinqüência. Havia depoimentos de pais desesperados e de filhas que se sentem incompreendidas em seus lares.
No atendimento de meninas adolescentes com problemas psicológicos, surgem, com freqüência, conflitos com a mãe. Isto é esperado, pois o adolescente necessita contestar as normas vigentes e desafiar as figuras de autoridade, comportamentos pertinentes a esse período da vida. O que gera preocupação e cuidados profissionais são a intensificação do sofrimento (e conseqüente adoecimento) e o aparecimento de comportamentos antissociais, como mentir, cabular aulas, fugir de casa ou se envolver com jovens em situação de risco social.
Muitas vezes, a adolescente não pôde contar com estabilidade e confiança no grupo familiar, ou se ressente da ausência (física e/ou emocional) dos pais, ou não encontrou um figura feminina com a qual pudesse se identificar de maneira saudável. Estudos com jovens do sexo feminino em situação de cumprimento de medida sócioedu-cativa comprovam estas observações.
Os fatos, as observações clínicas e os resultados de pesquisas nos convocam a uma reflexão: é preciso oferecer às nossas meninas a confiança, o diálogo, a presença humana, algo que elas precisam encontrar, em primeiro lugar, em casa.
Luci Mara Marin é psicóloga, doutoranda em Psicologia Clínica pela USP (11-4523-0294, maramarin@usp.br)