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No dia 21 de fevereiro, à meia-noite, chega ao fim o horário de verão e os relógios devem ser atrasados em uma hora. Mas, apesar dessa medida ocorrer ininterrup-tamente desde 1985, muitos não se acostumam facilmente à mudança. Para eles, a troca de horário traz desconfortos, principalmente nos primeiros dias. Mas por que isso ocorre? O neurologista do Hospital N. S. das Graças, Cleverson de Macedo Gracia, tira a dúvida dessa e de outras questões sobre o tema.
Por que as pessoas sentem dificuldade de se adaptar ao horário de verão e à volta ao horário regular? Existe alguma explicação fisiológica para isso?
Sim, a explicação é a de que o nosso organismo tem o ciclo circadiano, que é o período de 24h e é influenciado pela luz solar. Este relógio biológico encontra-se no núcleo supraquiasmático do hipotálamo, uma estrutura nas profundidades do cérebro.
Crianças e idosos demoram mais para se acostumar à volta do horário?
Sim. Idosos e crianças têm mais dificuldades de se adaptar às mudanças de horário. Mas ainda não se conhece a razão desta evidência.
O que é mais difícil: adaptar-se ao horário de verão ou a volta ao horário normal? Por quê?
As mudanças para leste são piores do que para oeste, isto é, quando você adianta o relógio é pior do que quando você atrasa. A razão disto é que nós estamos mais propensos a ficar mais tempo acordados à noite do que a ter que acordar mais cedo no dia seguinte. Como se fosse a favor e contra o relógio biológico.
Que sintomas podem indicar essa dificuldade de adaptação?
Insônia, sonolência diurna, cansaço, fraqueza muscular, dores de cabeça, mau humor, alteração do apetite, distúrbios estomacais, confusão mental, irritabilidade, constipação e queda da imunidade. Estes sintomas só são significativos em casos de mais de dois fusos horários, isto é, com variação do horário em duas ou mais horas. Em caso de uma hora, os sintomas tendem a se resolver rapidamente em dois a três dias.
Quais dicas podem facilitar essa adaptação?
Pessoas que percebem esses sintomas devem parar o que estão fazendo (se possível), tirar um cochilo acima de 45 minutos. Cafeína, exercícios e convívio social ajudam a resolver o problema.