Toda vez que a mídia fala sobre um novo tema envolvendo crianças, as perguntas nos consultórios são sempre as mesmas: você ouviu sobre isso? Sabe o que é? Pode me explicar?
Segundo os autores do livro “Crianças Índigo”, Lee Carroll e Jan Tober, elas são aquelas que apresentam um conjunto de características psicológicas incomuns e um padrão de comportamento ainda não classificado pela ciência. Esse tipo de comportamento faz com que todos os que interagem com ela (principalmente os pais) tenham de se adaptar a circunstâncias diferentes e a um tipo específico de criação. Ignorar essas características é obrigar essa nova vida a crescer em um ambiente instável e insatisfatório.
Devemos admitir que as crianças de hoje não são como as de 20 ou 30 anos atrás. As crianças desse milênio são intuitivas, sensíveis, criativas, quase sempre resistentes à imposição de autoridade, rápidas, inteligentes, irreverentes, abertas a novas descobertas. Por isso, não aceitam o uso de métodos ultrapassados como fonte de aprendizado. O Índigo tem um pé no presente e outro no futuro. Não se importa com o passado. É extremamente independente, tanto em casa quanto na escola. Possui a consciência de que há conhecimentos novos que mudam o tempo todo e necessitam de constante atualização para poderem fazer parte de uma sociedade em que a competitividade, o sucesso e a fama já não são apenas aspirações, mas valores.
Índigo ou não, o fato é que as crianças mudaram, não aceitam um NÃO sem uma explicação convincente, não aceitam o desrespeito, a falta de diálogo, de expressão. Entendem o inexplicável quando lhes damos oportunidade. Exigem ser tratados de igual para igual, enquanto ainda queremos exercer sobre elas o poder do autoritarismo. A punição não funciona com essas crianças. Punição é diferente de repreensão. Punição é baseada na culpa, enquanto repreensão é baseada no crescimento.
Nossas crianças têm a capacidade para acompanhar o momento atual, com toda sua tecnologia, seus fatos assistidos em momento real, o mundo da multiatividade, da notícia instantânea a um toque de seus dedos. Elas sabem que estar aberta a mudanças é o ponto fundamental do presente. Sua mente está preparada para absorver novas descobertas e entender rapidamente toda a tecnologia que está por surgir. E, com tudo isso, tornou-se o reflexo dessas mudanças. O fato é que este mundo já não é mais o mesmo. Temos sede de saber, aprender e usar todos esses recursos.
Maria Christina Savoy Soares é psicóloga, pedagoga, psicopedagoga e especialista em obesidade pela UVA-RJ
(11-4497-0903 e 9792-1474)