O que é ser homossexual?
Silvia Keiko Iha

O termo homossexual foi criado em 1869 pelo escritor e jornalista austro-húngaro Karl-Maria Kertbeny. Deriva do grego homos, que significa ‘semelhante’, ‘igual’. Embora o termo seja recente, a homossexualidade existe desde os primór-dios da humanidade, e várias foram as formas de abordar a questão. Em 1870, um texto de Westphal intitulado ‘As Sensações Sexuais Contrárias’ definiu a homossexualidade em termos psiquiátricos como um desvio sexual, uma inversão do masculino e do feminino. A partir de então, no ramo da Sexologia, a homossexualidade foi descrita como uma das formas emblemáticas da degeneração. Naquela época já existiam leis que proibiam as relações entre pessoas do mesmo sexo.
No século 20, essa tendência mudou e a homossexualidade deixou de ser considerada doença e a maioria dos países não mais discrimina as relações entre pessoas do mesmo sexo, havendo alguns que as tratam em absoluta igualdade com as relações entre pessoas de sexo oposto. A partir dos movimentos de liberação homossexual, emergiu o termo gay como meio de apagar o teor psiquiátrico por trás da palavra homossexual. Gay é um termo politizado e menos estigmatizante.
As principais organizações mundiais de saúde, incluindo muitas de psicologia, não mais consideram a homossexualidade uma doença. Desde 1973, a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria e, à mesma época, foi retirada do Código Internacional de Doenças. A Assembléia-Geral da Organização Mundial de Saúde, em 17 de maio de 1990, retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais, declarando que ‘a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio, nem perversão’ e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade.
Desde os estudos de Kinsey, em 1949, popularizou-se a afirmação de que 10% da população humana teria uma orientação homossexual. Mas outros estudos indicaram valores diferentes, como 4% e 14%. A principal razão para a dificuldade na obtenção de um valor crível está no fato de muitos homossexuais esconderem sua orientação sexual por motivos diversos, além de ser difícil e questionável classificar e quantificar de forma científica o grau de homossexualidade/heterossexualidade de alguém. Na caracterização do sexo de uma pessoa, quatro elementos devem ser levados em consideração: seu sexo biológico, sua identidade sexual, seu papel social e sua preferência afetiva.


Silvia Keiko Iha é psicóloga clínica
(11-4586-2531, 4586-1684),
pós-graduada em Psicologia Hospitalar e pós-graduada em Terapia Sexual.