Terapia com caixa-de-areia (Sandplay)
Dr. José Antonio de Oliveira

Onome parece estranho: terapia na “cai- xa de areia”, mas é exatamente isso. Um processo psicoterapêutico com pessoas de qualquer idade, realizado por meio da utilização de caixas com areia. A técnica foi desenvolvida e é empregada por psicólogos junguianos. Trata-se, especificamente, de o paciente “projetar os conteúdos de seu inconsciente em cenários criados com miniaturas e montados dentro de caixas que contêm areia”. As caixas (duas) são retangulares com tamanho aproximado de 70cm x 6cm x 50cm, e com fundo azul-claro (para simbolizar água) e preenchidas com areia fina, sendo uma utilizada com areia seca e a outra com areia molhada.

Assim como o desenho, a pintura, a dança, a massi-nha/argila, o brincar, a caixa de areia é uma “técnica expressivo-projetiva”, criativa e não-verbal, pois nela o inconsciente é projetado e expresso em cenários, o que possibilita ao psicólogo/analista um acesso imediato aos conteúdos psíquicos, em um ambiente protegido, livre e contido, onde nada se fala ou é interpretado, simplesmente vivenciado. Eventualmente, o paciente/analisando pode expor algum sentimento ou impressão que o cenário lhe causa. No final de cada sessão, após a saída do analisando e antes de ser desfeito, o cenário é fotografado, analisado pelo psicólogo e guardado para formar um “histórico evo-lutivo”, que será mostrado ao analisando no final de seu processo terapêutico.

Tem-se a impressão de que essa atitude não-interpretativa, em que só no final do processo se comentam os cenários, é imprecisa e a terapia “vazia”. Mas este é o cerne da técnica, pois conta-se com a ativação do Self, o centro regulador e ordenador da nossa psique, que é responsável pelo processo de auto-cura psicológica. Essa auto-cura pode ser exempli-ficada pelo que acontece em nosso corpo quando nos ferimos e, automaticamente, é disparado um processo de cura (os anticor-pos ou as cicatrizações).

É lógico que tal processo será mais rápido ou lento, conforme forem as condições dadas ao corpo, como alimentação, medicamentos etc. O mesmo ocorre com a psique: o processo é auto-curativo. Entretanto, depende de condições favoráveis para que se inicie e ocorra de forma mais ou menos intensiva.

A caixa de areia propicia a projeção de conteúdos inconscientes que, de outra forma, seriam expressos, por exemplo, no corpo, na forma de um sintoma. Isto acontece para que a pessoa vivencie a sua personalidade de maneira total, não reprimindo para o seu inconsciente pessoal – a sua sombra, potencialidades que precisam fazer parte de si, do seu ego. O adoecimento físico e/ou emocional é o jeito de o Self compensar uma atitude unilateral do ego, com o objetivo de levar a pessoa à conscientização e à totalidade. A diferença é como isso pode ser atingido: com maior ou menor sofrimento.

Dr. José Antonio de Oliveira é psicólogo junguiano (11-3446-4652)