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Muitas pessoas já sabem o que motiva a
procura por um psicólogo. As principais questões referem-se a problemas de relacionamento e/ou dificuldades financeiras, sendo que os adultos, em maioria, esperam atingir um desconforto muito alto para procurar ajuda, quando procuram. Se for certo que há certa relutância em admitir a necessidade e iniciar a psicoterapia, a resistência pode ser ainda maior quando se trata de reconhecer esta necessidade nas crianças.
As crianças não falam sobre seu sofrimento pois ainda não sabem fazer isso. Elas se expressam principalmente por meio do comportamento e, quando algo vai mal, surgem sintomas nem sempre fáceis de identificar. Os pais ou responsáveis atentos podem perceber mudanças de comportamento e se indagar do que se trata.
Quando a criança é levada ao pediatra regularmente e não só quando está enferma, conversas com o médico podem ajudar na identificação de problemas. Às vezes, a criança sempre teve um temperamento difícil e algumas coisas que podem estar acontecendo com ela podem passar despercebidas. De forma geral, desconfie de algo se houver mudanças de comportamento como:
- alterações no apetite para mais ou para menos ou até na seleção dos alimentos;
- alterações no sono: dificuldade para dormir, pesadelos freqüentes, medos inexplicá-veis relacionados à hora de dormir;
- medos e fobias de forma geral;
- enureses noturnas primárias ou secundárias, que significam que a criança nunca obteve o controle dos esfíncteres além da idade de 5 anos ou obteve mas voltou a fazer xixi na cama por motivo não conhecido;
- a criança chora muito ou grita, está a-gressiva, não permite ser tocada;
- a criança apresenta mutismo eletivo: fala só com familiares em casa, mas não emite uma palavra na escola;
- a criança está apática, excessivamente boazinha, costuma retirar-se e isolar-se;
- inibição motora, dificuldade para brincar, executar tarefas;
- dificuldade de concentração e memo-rização;
- se a criança está na escola: desinteresse escolar de forma súbita, queda no rendimento, contrastes de rendimento.
Estes são alguns indícios para nortear os familiares, lembrando que cada caso é um caso e deve ser considerado individualmente. Não se trata de fomentar preocupação exagerada, mas de realmente procurar ajuda quando necessário. Afinal, as crianças merecem ter um desenvolvimento pleno, saudável e, principalmente, serem felizes!
Dânia Prevedel Meletti é psicóloga
formada pela USP, pós-aprimorada em
Psicologia do Desenvolvimento em Pediatria pela Unicamp, especialista em
Psicoterapia Infantil pela SPAGG-Campinas e psicopedagoga pela
UniAnchieta.
R. Anchieta, 573, sala 11, Ed.
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