Psicólogo... Pra quê?

Elisa S. Hull, Fernanda A. Bérgamo, Flávia Luchesi, Solange C. Sanchez e Suzana N. Carbonari

Suzana, Solange, Elisa, Fernanda, Flávia.

Vivemos uma realidade tumultuada - o stress, a violência, o desemprego, a infelicidade e insegurança constantes, a depressão que nos surpreende, as desavenças fa-miliares, os amores não correspon-didos, os problemas sociais e econômicos. Tudo isso faz parte desta realidade que acarreta nas pessoas o sentimento de estarem sozinhas.

Essa solidão é um forte combustível para a busca desequilibrada de formas de satisfação da necessidade de pertencer, de estar junto, de ser aceito e de ser amado.

As pessoas já não sabem o que fazer ou como lidar com tudo isso que nossa sociedade nos apresenta cotidianamente. É a frustração dessas necessidades que causa muitos dos problemas de ajustamento.

O caos está inserido em nosso meio e o bem-estar psíquico é um fator determinante do bom desempenho nas várias áreas da vida, e é isso que exige uma intervenção psicológica; o ajustamento se faz necessário para a satisfação dessas necessidades e uma possibilidade de viver.

Visando minimizar os efeitos destas tensões, o tratamento psicológico é um espaço e um tempo para o reencontro de um caminho pessoal, uma forma de intervenção e de ajuda para o enfrentamento da problemática, surgindo como uma possibilidade de resgatar o sentido da vida. O tratamento psicológico não é coisa para doentes mentais, como muitos imaginam, ele lida com problemas existenciais, não com doenças mentais e suas curas.

Entretanto, a psicoterapia não permite apenas a resolução de problemas existenciais. Há a possibilidade do crescimento interior, o pleno desenvolvimento da personalidade do indivíduo pode ser alcançado a partir daí. Viver pode se tornar uma experiência de maior intensidade e sensibilidade, comparada com a fraqueza e a falta de rumo interior.

A proposta do psicólogo é caminhar junto com o cliente, de maneira que, ambos, encontrem recursos para o resgate da dignidade. É um processo de aprendizagem, assim como a vida é.

A principal função de um psicoterapeuta é fazer com que a pessoa se conheça, se aceite enquanto indivíduo, encontre ferramentas necessárias para corresponder às solicitações de sua vida, valorizando-se, e adquira condições necessárias para resolver seus problemas e, assim, substituir a paralisia diante de situações com as quais não sabe lidar.

Esse processo pode trazer ao indivíduo a possibilidade de promover sentido e significado às suas vivências. Portanto, o psicólogo não dá as respostas, mas ajuda a pessoa a encontrá-las, a compreender melhor o que ocorre em sua relação com o seu mundo.

Elisa Hull, Fernanda Bérgamo, Flávia Luchesi, Solange Sanchez e Suzana Carbonari são psicólogas do Espaço Anchieta (Rua Anchieta, 603,
tel. 11-4586-0635).