A gagueira infantil

Lucia Cristina Leal de Brito

Agagueira infantil ainda é tema de muitas dúvidas por parte da população e, o que pode ser considerado problemático, é que a gagueira ainda é tratada como algo normal, ou como um problema exclusivamente de fundo emocional, causado pelos pais, pelo nervosismo ou pela timidez. As teorias mais atuais sobre as causas da gagueira apontam para uma causa multifatorial, onde os aspectos genéticos e de processamento cerebral apresentam tanta influência quanto os aspectos psicossociais no desenvolvimento desta patologia.

O fenômeno da gagueira geralmente inicia-se a partir da disfluência normal da fala, ou disfluência infantil, que costuma aparecer em torno de dois anos e meio e deve durar no máximo seis meses. Nessa fase, os “erros” na fala ainda são bastante comuns e, até certo ponto, aceitáveis dentro do processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem. Aparecem na fala da criança características do tipo hesitações, repetições de frases e palavras, localizadas no início da frase, sugerindo uma dificuldade com vocabulário e organização da frase, o que é absolutamente normal para a faixa etária. Nesse período é difícil saber se a criança que está gaguejando corre o risco de ficar definitivamente gaga. É da responsabilidade do fonoaudiólogo detectar este quadro inicial, e atuar preventivamente para que não se torne crônico. É importante ressaltar que um quadro crônico não é irreversível.

A denominação gagueira infantil sugere a marca da cronicidade. Ela pode ser avaliada pela análise das disfluências observadas na fala da criança, pela conscientização da criança da sua dificuldade em se expressar verbalmente, ocasionando ansiedade em situações de comunicação, e por um autoconceito negativo em relação às suas capacidades de “falante”, ou melhor dizendo, a criança já se vê como “gago”.

Buscar auxílio profissional de um fonoau-diólogo é o mais indicado quando forem observadas dificuldades na fala da criança. É preciso investigar profundamente a criança, seu sintoma e seu ambiente familiar e escolar (se houver), para depois se pensar o encaminhamento clínico e terapêutico, seja ele qual for, com segurança.

uanto aos encaminhamentos, é necessário levar em consideração o tipo e a gravidade dos problemas identificados, sendo fundamental que os pais reconheçam e aceitem a necessidade das condutas terapêuticas. Por fim, o profissional que atende a criança não pode deixar de ter contato com a escola que ela freqüenta, tanto para obter mais dados como para auxiliar os professores quanto às atitudes mais adequadas a serem tomadas em relação à disfluência.

Lucia Cristina Leal de Brito
(11-4522-1775) é fonoaudióloga