Susan Carol Albert
Pais com crianças em
casa sabem as mudanças dramáticas que acontecem na vida familiar quando essas crianças se tornam adolescentes. O que era confortável e conhecido se torna estranho e desconhecido. Para muitos pais, esse momento marca uma mudança significativa nos seus papéis como autoridades dentro do lar. Muitos se sentem ameaçados pelo fato de que seus filhos estão se tornando adolescentes, pois fica evidente para eles que os anos estão passando e a distância entre sua juventude e o presente está cada vez maior. O que pode acontecer é que esses pais tentem, inconscientemente, manter seu filho adolescente num papel dependente, restringindo suas atividades, não adaptando as regras da casa à nova realidade e mantendo-o perto do lar.
Freqüentemente, os pais têm dificuldade de se tornarem mais flexíveis em relação aos seus filhos que estão crescendo e têm demandas diferentes; eles não sabem se adaptar ao adolescente que não é mais criança. Nesses momentos de conflito, quando o adolescente está testando fronteiras novas e tentando estabelecer novas dinâmicas familiares, os pais revertem ao conhecido e continuam tratando o filho como criança, não percebendo que os papéis estão mudando e que o adolescente está exigindo que uma nova relação seja desenvolvida com os pais.
Freqüentemente, os pais sentem uma tristeza ao perceber que estão perdendo a intimidade que antigamente tinham e entendem a distância do adolescente como rejeição pessoal, e não como uma necessidade para o adolescente crescer e se tornar independente.
Nesse período de transição, as famílias recorrem a uma variedade de táticas na tentativa de evitar que essas mudanças, inevitáveis, aconteçam. Os pais podem usar a energia nova que surge com o início de adolescência para estimular um senso da própria juventude (lembra o filme Beleza Americana?). Eles ficam envolvidos demais nas amizades, romances e intrigas dos filhos, invadindo um espaço sagrado, querendo reviver o que sentem que perderam na sua própria adolescência. Ou podem empregar um ‘jogo de poder’ para que o filho fique amarrado a eles. Por exemplo, apontando todos os sacrifícios que tiveram de fazer, citando o dinheiro, tempo e lazer que investiram e entregando a ‘conta’, exigindo que o filho cumpra os desejos deles como uma maneira de quitar o que deve. O que era uma criança carinhosa e afetiva se torna um adolescente cheio de ressentimentos e mágoas, e o que era um lar tranqüilo e aconchegante se torna um campo de batalha.
Nesse período, é importante que os adolescentes e os pais tenham uma oportunidade de elaborar as mudanças dramáticas que estão acontecendo, internamente, dentro da família e no seu mundo. Às vezes, uma terapia breve é suficiente para que o campo de batalha se torne menos hostil e ameaçador e mais receptiva a essas mudanças e transformações.
Susan Carol Albert (11-4586-0869, 9960-2541) é psicóloga junguiana,
mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP) e trainee membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica.