Cuidado: contém glúten!

Andrea Bissoli

Glúten: este é o novo vilão que deve ser banido do cardápio em nome da saúde e da boa forma. Médicos e nutricionistas sabem há tempos que o glúten, uma substância encontrada no trigo, no centeio, cevada e aveia, transforma-se numa espécie de cola ao chegar no intestino e gruda nas paredes intestinais, provocando, aos poucos, saturação do aparelho digestivo, aumento da gordura vis-ceral (região do abdômen), dores articulares, alergias cutâneas, enxaqueca, depressão.
Um alimento normal leva 18 horas da mas-tigação até ser eliminado pelo reto. O produto com glúten leva 26 horas. O excesso vai retendo cada vez mais toxinas no organismo e promove a disbiose (alteração da flora normal), com fermentação, retenção de líquidos. É o início de uma série de doenças articulares, auto-imunes e até depressão.
O perigo se agravou devido ao consumo excessivo de pães, biscoitos, macarrão, bolos. Até alguns queijos e embutidos contêm o agora maldito glúten. Os resultados já aparecem nos consultórios de nutrólogos, alergistas e nutricionistas: obesidade, síndrome de resistência à insulina, deficiência de cálcio (o trigo vem sempre adicionado de açúcar), alergias, diarréias, doenças auto-imunes. O nutrólogo João Curvo diz que, para os chineses, o excesso de glúten no organismo é sinal de má higiene interna: o metabolismo emperra, favorecendo bactérias que gostam de calor e estagnação. A pediatra e nutróloga Clara Brandão, do Ministério da Saúde, premiada por suas alternativas para a mesa brasileira, defende o que chama de ‘nossa soberania alimentar’: mandioca, milho e arroz no lugar do trigo importado que faz tanto mal. E, se abolir o glúten ajuda a emagrecer, a dieta sem glúten virou febre nas academias. Pães de aipim e milho, macarrão de arroz e cookies de soja são as novas delícias das casas de produtos naturais.
Danos causados pelo glúten
Intolerância alimentar: O glúten adere às paredes intestinais e vai bloqueando o funcionamento do intestino. Os primeiros sintomas são intolerância alimentar, desconforto abdominal, gases, retenção de líquidos.
Obesidade: Com o metabolismo estagnado, o intestino não processa devidamente os alimentos e vai produzindo gordura abdominal, síndrome de intolerância à insulina e diabetes.
Baixa imunidade: O metabolismo estagnado afeta o sistema imunológico, favorecendo doenças auto-imunes, entre elas artrites e artroses.
Intoxicação e enxaqueca: A paralisação intestinal dificulta a eliminação das toxinas que elevam o risco de doenças, produzindo sintomas como dor de cabeça e enxaqueca.
Aliança com o açúcar: Como o glúten vem aliado ao açúcar, que seqüestra cálcio do organismo, aumenta o risco de osteoporose, cárie, ranger de dentes, insônia, hipertensão e colesterol alto.
Depressão: Ao impedir a produção normal de serotonina, o glúten favorece a depressão e o mau-humor.
A dra. Elisabete Thomaz atende à Rua do Retiro, 177, sala 41, tels. (11) 4521-3378 e 9354-4937.

Andrea Bissoli é proprietária da loja de produtos naturais Grão & Cia
(11-4492-1985). Fonte:O Globo.