Maria Eduarda Sampaio M. Silva
Quem nunca brincou
quando criança? Difícil encontrar alguém que responda negativamente a essa pergunta. Jogos e brincadeiras (esconde-esconde, pular corda, pega-pega, futebol, brincar de casinha, entre outras) são atividades que permeiam o cotidiano das crianças, adolescentes e adultos: quem não se lembra das brincadeiras de infância ou dos jogos da adolescência? Quando adultos, nada mais fazemos do que trocar as brincadeiras da infância por outras atividades, coerentes com essa nova realidade como os esportes, mas que preservam, na essência, o seu caráter lúdico.
Para a criança, o brincar é uma atividade muito séria; os trabalhos de reflexão e criação são elementos constantes no brincar. Brincar é entrar num estado de faz-de-conta, uma mudança de perspectiva, da lógica para a esfera teatral ou representativa, onde as coisas são aceitas pelo que são vivenciadas; é a lógica do “como se”.
Santa Roza (1993 pg 28) nos diz que o brincar é uma atividade consciente, sendo que a criança não perde o sentido da realidade. Desta forma, brincar é um imaginário construindo um todo inseparável, pois aquele que brinca está articulado com os materiais, o espaço e o tempo, com as circunstâncias e com tudo o que diz respeito ao ato lúdico.
Freud nos diz que a ocupação mais preferida e intensiva da criança é o brincar, que esta não brinca somente para repetir situações, mas também para elaborar as que lhe foram traumáticas e dolorosas.
O LUDO simboliza para a criança o manejo de suas forças na luta ou adaptação e conquista do mundo. Está em contínua mudança e inclui o intercâmbio entre fantasia e realidade, tarefa constante de construção e reconstrução da realidade interna e externa.
Dolto (1998) salienta que as crianças precisam brincar tanto quanto precisam de contatos afetivos, de fazer, de falar, de ouvir respostas às suas perguntas.
O reencontro com o brincar é inevitável para os que assumem a função de pai e mãe e exige disponibilidade interna para acolher as brincadeiras das crianças em toda sua plenitude, e esse é o grande desafio, acolher as criações expostas pelas crianças e compartilhar com elas essa busca por saber e conhecer, além da comunicação e vínculos que se formam a partir daí. É um convite para que cada um, sem se infantilizar, comece a observar o seu ser brilhante, lembrando que a porta é sua e só abre por dentro (Emerique 2003).
Para finalizar, concluo com o pensamento de Masetti (1998): brincar é o melhor espaço de encontro, que não tem tempo definido para acontecer, depende da intensidade do olhar e da permissão para o jogo. Os encontros são feitos das mais diversas químicas, às vezes construídos simplesmente a partir de um olhar, ou de uma soma de pequenas situações cotidianas, que mudam as direções de nossas vidas.