Jung e corpo: o que há para ler.

    Denise M. Molino

     

    Nesta edição comento sobre duas obras de interesse para psicólogos e estudantes de Psicologia, em grande número dentre os nossos leitores.

    O primeiro: Anatomia Emocional, de Stanley Keleman, editado pela Summus e já em sua quinta edição. Expoente da terapia baseada no corpo, Keleman, que trabalhou com A. Lowen, foi um estudioso de Freud, Reich, Jung e mitologia, desenvolvendo um método somático-emocional de psicoterapia que integra os aspectos anatômicos e fisiológicos aos vários tipos de experiências humanas. Observa o indivíduo nos seus registros pulsátil, gravitacional, aéreo e mental, geradores das infinitas modulações do estar vivo.

    Com muita propriedade, explicita como o corpo humano vai se transformando, aden-sando ou enrijecendo de acordo com o seu grau de tolerância aos ritmos das vivências do amor, decepção, medo, agressão, agonia ou prazer.

    Anatomia Emocional correlaciona forma e sentimento, buscando compreender o funcionamento do indivíduo sem postular qualquer ideal somático ou psicológico.
    É um volume de referência aos psicote-rapeutas que utilizam técnicas corporais em seu trabalho e aos estudantes de Psicologia que ainda têm em sua formação poucas noções de neuroanatomia e neurofisiologia.

    O segundo volume: História da Arrogância - Psicologia e Limites do Desenvolvimento Humano, de Luigi Zoja, editado pela Axis Mundi, no ano de 2000. Zoja é um analista junguiano que trabalha em Milão; estudioso dos problemas ambi-entais, exerceu com competência a presidência da Associação Internacional de Psicologia Analítica (IAAP).
    Nesse livro o autor mostra como a Psicologia Analítica pode oferecer uma compreensão sobre o processo histórico da cultura ocidental tomada pela busca do crescimento ilimitado.

    Para examinar as mudanças sobre o conceito de limites, viaja conosco até a cultura grega e seus mitos, para depois estabelecer pontes com as questões contemporâneas do desenvolvimento descontrolado criando devastações; sobre a vitória das coisas sobre as pessoas; sobre a busca de uma felicidade impossível, com conseqüente retorno ao vazio da alma.

    Nas palavras de Zoja, “já é tempo de reconhecer que os problemas externos se traduzem num plano psicológico interior”, e aí reside nossa chance de verdadeiras interrogações.

    Para os psicoterapeutas familiarizados com as dependências, com os transtornos alimentares, com as compulsões e tantos outros distúrbios ligados à questão dos limites, este livro é um recurso verdadeiramente instigante.
    História da Arrogância reflete o pensamento maduro de um autor junguiano presente ao seu tempo com conseqüências decisivas sobre a prática clínica.

    Denise M. Molino é psicoterapeuta. Atende em seu consultório em São Paulo e Jundiaí. (11-4497-1447 e 2274-5588)