Dr. José Antonio de Oliveira
O luto é uma vivência emocional de dor motivada por uma perda, com as mais variadas causas e geradora de stress até o mais alto grau. Essas perdas podem ser o falecimento de um genitor, filho, parente e/ou cônjuge, separação do casal – nesses casos, o grau de stress emocional pode chegar a 100%. Outras perdas seriam a morte de um animal de estimação, morte ou afastamento de uma pessoa querida, perda de um objeto de estimação, falência de um negócio e/ou empresa, perda de emprego etc. O grau de dor e sofrimento e, conseqüentemente, de stress pode variar dependendo do valor que a pessoa dá ao “objeto” perdido.
Para ser eliminado do emocional da pessoa, o luto precisa ser vivenciado. E isso requer que o enlutado passe por cinco fases:
1 – Negação: “não, eu não merecia isso” e “isso não pode estar acontecendo” são exemplos de discursos dessa fase, na qual a pessoa nega, não aceita a situação. É a fase de maior sofrimento, em que a pessoa pode “sair do seu eixo”.
2 – Raiva: nessa fase, o enlutado encoleriza-se e se rivaliza com a situação, com seu causador ou com o “pseudo-causador” (Deus, por ex.). Há um discurso de revolta contra si e contra todos, e se tenta achar um culpado para daí, poder passar para a próxima fase.
3 – Barganha: tendo um “culpado”, imagina-se ser fácil uma troca, para se recuperar o “objeto de desejo”. “Talvez se eu agir desse ou daquele jeito, seja possível reverter a situação”. Num caso de falecimento, essa fase é a mais complicada de ser vivenciada, pois a pessoa já não está mais presente.
4 – Depressão: como as tentativas de recuperação podem não dar certo, entra-se na 4a fase, na qual a pessoa se deprime, o que significa que ela se volta para dentro de si, e descobre que o inevitável e-xiste, aconteceu. Chega-se ao “fundo do poço”. É a fase mais complicada pois, se a pessoa não tem uma estruturação psicológica adequada, pode adoecer de fato e precisar de ajuda profissional. Por outro lado, se está no fundo, só há um caminho a seguir: para cima. Então, essa fase é a que propicia a recuperação e o passa-mento para a última fase do luto.
5 – Aceitação: recuperação do sofrimento, tendo-o vivenciado e lidado com a perda do “objeto amado”. Descobre-se que a vida é única e precisa continuar a ser vivida. Pode ser que tenha havido até uma “substituição” daquele outro “objeto”, mas é um paliativo, pois a perda ocorreu de fato. Aqui, a pessoa já está recuperada e integra em seu saber emocional mais esse aprendizado. O que não significa que, em outra situação de luto, ela não sofrerá, mas estará melhor preparada.
Importante é saber que essas fases não podem ser puladas ou suprimidas. A vivência de um luto exige tempo, e cada pessoa tem o seu tempo próprio de duração do luto. Quanto mais integrada psicologicamente, menor será a duração do luto. Em certos casos, em que o nível de stress é muito alto e pode comprometer a saúde emocional, é recomendada a ajuda especializada de um psicólogo, aliás, prática já utilizada em hospitais onde a qualidade de atendimento aos pacientes é primordial, sendo conhecida como “cuidados paliativos”.
Dr. José Antonio de Oliveira é psicólogo junguiano (4586-7545)