Como lidar com a Doença de Alzheimer

     

    Ana Maria: mais qualidade de vida para portadores de Alzheimer..

    Cem anos atrás, novembro de 1906, o mé-dico alemão Alois Alzhei-mer fez o primeiro diagnóstico da doença que leva seu nome e afeta hoje 25 milhões de pessoas no mundo e 800 mil no Brasil. Cem anos depois, a doença não tem cura efetiva nem exame que a diagnostique, diz a psicóloga clínica Ana Maria Mantovani Pedro (4522-6615), associada à ABRAZ-Associação Brasileira de Alzheimer (www.abraz.org.br), que trabalha com adultos e com a 3a idade, especialmente os portadores de Alzheimer.

    Segundo Ana Maria, ainda há muita desin-formação sobre a doença e o paciente acredita que vai esquecer tudo e morrer logo. “Não é assim que acontece. Hoje há medicamentos e recursos para melhora da qualidade de vida e da expectativa de vida”.

    O trabalho inicial do psicólogo é prevenir a depressão antecipada do paciente, informando os meios existentes para amenizar a progressão da doença e fazer com que ele participe do tratamento. “Pessoas muito inteligentes percebem que não estão bem. Conseguem disfarçar, mas sabem que não conseguem mais fazer o que faziam antes”.

    Normalmente, o primeiro sintoma de Alzhei-mer é uma perda significativa de memória. Começa com pequenos esquecimentos, que aumentam com o tempo. O paciente deve ir ao médico para ter um diagnóstico, que é feito por avaliação clínica e exames que descartem outras doenças.

    O trabalho com a família é importantíssimo, diz Ana Maria, pois as perdas são progressivas. “Procura-se ajudar a reestruturar a família, porque as perdas vão continuar”.

    Na primeira fase da doença, os sintomas são dificuldade de memória, de raciocínio (solução de problemas do dia-a-dia), linguagem (não lembra nome de objetos) e para aprender coisas novas, explica a psicóloga. Na segunda fase, tem dificuldade para fazer coisas da rotina e precisa de auxílio. Mais para frente, as perdas motoras se acentuam e, depois, podem começar distúrbios de comportamento como agitação, agressividade sem motivo aparente, delírios, alucinações. “Dentro desse quadro, a família começa a perder um ente querido, pois o paciente não se reconhece como pai, avô, irmã – não reconhece as pessoas à sua volta. Deve-se destacar que há uma sintomatologia geral, mas o desenvolvimento da doença é muito pessoal”.

    Diante dessa situação, os familiares têm uma ambivalência de sentimentos: amor, raiva, ódio, impotência, culpa, negação, medo, angústia – principalmente o familiar que é eleito como cuidador. “É necessária a conscien-tização de que isso é normal. Somo seres humanos, temos todos esses sentimentos. O trabalho do psicólogo também é o de resgatar a qualidade de vida da família e de quem cuida do paciente, para que possam viver sem culpa. E orientar como lidar com várias situações e aproveitar cada momento de lucidez do paciente, que, apesar das dificuldades, sente o amor e o carinho da família, mesmo que não reconheça ninguém”.

    Ana Maria cita que, na Faculdade de Medicina de Jundiaí há grupos de apoio dos quais as famílias de portadores de Alzheimer devem participar. E é bom saber que os medicamento para a doença são fornecidos pelo governo.