José Antônio de Oliveira
Perda de apetite ou recusa de se alimentar por razões emocionais; insatisfação com o próprio corpo (geralmente meninas, considerando-se gordas mesmo estando abaixo do peso normal); críticas constantes a algumas partes do corpo (especialmente abdômen, nádegas e coxas); conhecimento das calorias ingeridas em todo tipo de alimento; sentimento de culpa ou depreciação por ter comido; perda da menstruação; mudança no caráter (irritabilidade, tristeza, insônia etc.); excessiva sensibilidade ao frio: se você tem, ou conhece alguém que tenha esses sintomas, cuidado! Você, ou essa pessoa, pode estar acometida de uma doença, a Anorexia Nervosa, que é um transtorno emocional que consiste na perda de peso derivada de um intenso temor da obesidade.
É preciso ficar atento para os primeiros sinais desse transtorno alimentar, que pode acarretar graves problemas de subnutrição que, entre outras coisas, pode levar à morte (estima-se que cerca de 10% a 20% das pacientes com anorexia nervosa morrem). Entretanto, é preciso ter muito cuidado na avaliação de uma adolescente, pois a prática moderada de alguns desses hábitos faz parte da chamada “síndrome da adolescência normal”.
Estima-se que 500.000 apresentem esse transtorno alimentar no Brasil. A doença é mais freqüente em classes sociais mais elevadas, surgindo após uma dieta alimentar (45% dos casos) ou por uma situação competitiva (40%).
O desenvolvimento da doença também pode se dar a partir de uma alteração psicológica devido a uma situação estressante, como perda de um ente querido; insucesso na vida profissional ou estudantil; rompimento conjugal; adaptação profissional ruim; mudança de cidade ou de local de trabalho; relacionamento complicado com a mãe, entre outros.
Tratamento
A primeira dificuldade do tratamento é convencer a pessoa anoréxica de que ela precisa de ajuda. Geralmente, essas pacientes não têm consciência da gravidade do caso, e a idéia de ganhar peso lhes causa horror. A família deve tentar compreender a situação e fazer com que o ambiente se torne agradável à paciente, ao invés de simplesmente obrigá-la a comer.
Os primeiros passos para a cura podem ser dados por um médico gene-ralista ou um pediatra, acompanhado por um psicólogo que tentará modificar as idéias da paciente sobre seu cor-po e alimentação. O médico deverá encorajar hábitos alimentares normais e metas para ganho de peso, sem que este seja o único foco do tratamento.
Na seqüência, um psiquiatra que entenda do assunto aliado a um nutricionista são de grande valia. Se uma internação se tornar necessária (não hesite, interne), é feita uma dieta hipercalórica, correção de alterações metabólicas e utilização de antidepressivos, geralmente que tenham como efeito colateral o estímulo do apetite. Algumas pessoas recuperam-se completamente após um único episódio, mas na maioria dos casos as recaídas são freqüentes e um acompanhamento psicológico contínuo faz-se necessário.
Após o restabelecimento do peso ideal, a paciente deverá manter uma alimentação saudável e equilibrada, ingerindo um mínimo de 1200 calorias por dia, distribuídas entre carboi-dratos, proteínas, frutas e legumes.
Dr. José Antonio de Oliveira
(4586-7545) é psicólogo junguiano