Dr. Eudes José Ferigato Tarallo
enxaqueca (ou migrânea) é uma doença
adquirida geneticamente, como demonstram várias pesquisas que estudam famílias inteiras e pares de gêmeos. É errado dizer que a enxaqueca é algo “normal” ou “com que se deve acostumar”.
Ela tem tratamento e os pa-cientes se beneficiam imensamente dele, em-bora, na maioria das vezes, não seja possível evitar completamente as crises. Outro termo usado é a cefaléia, que é um termo médico e significa exatamente o mesmo que dor de cabeça. Assim, não faz sentido dizer: “O que tenho não é cefaléia, é somente uma dor de cabeça!”.
A enxaqueca é uma forma de cefaléia, mas não a única; existem muitas outras – reconhece-se mais de 150 modalidades de dor de cabeça. Estima-se que a prevalência da queixa de dor de cabeça ao longo da vida seja de 93% nos homens e 99% nas mulheres e que 76% do sexo feminino e 57% do masculino tenham pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês.
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| Dr. Eudes José F. Tarallo (4522-3111) é clínico geral e médico homeopata |
Devido a esse volume gigantesco de sofredores de dor de cabeça, é muito freqüente que muitas “simpatias”, mitos e comportamentos inadequados sejam sugeridos pelo público leigo para o alívio desse quadro.
Os principais são os seguintes:
Alimentos e bebidas – chocolate pode ser um desencadeante, o vinho tinto, idem. Mas é numa minoria. Já o jejum prolongado aumenta a possibilidade de desencadear uma crise.
Pressão alta – a associação de dor de cabeça com hipertensão arterial é coincidência. Pode ser devida a um efeito colateral da própria medicação usada para combatê-la ou quando ocorre pico hipertensivo. Portanto, na maioria das vezes, pressão alta e dor de cabeça é mera coincidência.
Sinusite – as sinusites crônicas não provocam cefaléia, somente se esta for aguda.
Olhos – os olhos raramente são causa das formas mais comuns de cefaléia. Miopia, hipermetropia, presbiopia etc. não são causas de dor de cabeça.
Fígado e vesícula – não existe qualquer relação entre problemas do fígado e enxaqueca; operar a vesícula não proporciona melhora da enxaqueca.
Articulação mandibular – pode ser causa de dores, em especial na região da própria articulação e, raramente, irradiando-se para outras áreas da cabeça. No entanto, não é causa de enxaqueca.
Criança não tem – não é verdade; crianças também podem sofrer de enxaqueca.
Gravidez melhora – é verdade. A maioria das mulheres apresenta melhora da enxaqueca no período da gravidez, em especial a partir do segundo trimestre.
Não tem tratamento – de todos, esse é o mito mais prejudicial. A enxaqueca tem tratamento e inúmeras pessoas se beneficiam dele, obtendo redução da freqüência e da intensidade das dores e apresentando resposta melhor aos medicamentos para as crises. O índice de satisfação com o tratamento é alto.
Menopausa melhora – apenas cerca de 30% apresentam melhora significativa com a menopausa, principalmente aquelas que apresentam enxaqueca com predomínio no período menstrual.
Devido ao fato de a cefaléia ser uma patologia freqüente, criou-se nas pessoas o costume de consumir analgésicos indiscrimina-damente.
Na tentativa do alívio imediato da dor, as pessoas tomam analgésicos sem prescrição ou acompanhamento médico.
Usam doses progressivamente mais altas desses medicamentos e, desse modo, ao invés de eliminar a dor, contribuem para o agravamento da cefaléia. Se utilizadas fre-qüentemente em quantidades excessivas, separadamente ou em combinação, esses analgésicos e outras medicações para dor podem perpetuar a cefaléia, tornando-se um problema crônico diário, como tem sido constatado por diversos estudos. Além disso, muitas vezes não se tem o diagnóstico correto da cefaléia e por isso não se consegue o tratamento adequado.
A homeopatia torna-se um excelente tratamento para os portadores de cefaléias, pois visa ao equilíbrio orgânico, à suspensão do uso crônico de analgésicos e ao retorno à qualidade de vida. Em pouco tempo o paciente fica liberto dos sintomas que o incomoda há anos, com a vantagem de não haver nenhum efeito colateral no tratamento.