Seja tão jovem quanto a sua coluna!


    Muitos adultos sofrem de lesão de disco em um período da sua vida. Isso não é exagero. Mas por quê? Quem explica, aqui, é Tony Oliver, professor de Alongamento do Studio de Dança Cíntia Ladeira (4587-6717).

    A maioria dos animais anda sobre quatro patas, ficando assim as vértebras da coluna em posição horizontal. Qualquer aumento de peso curva a coluna para baixo, fechando as juntas na parte posterior e abrindo-as na frente, em direção contrária ao canal existente na coluna onde se estende a medula e não causará mais danos. O homem aprendeu a ficar sobre dois pés, o que, infelizmente, significa que o alinhamento das vértebras passou de horizontal para vertical, o peso de cada uma comprimindo a outra.

    Assim, os discos podem deslocar-se para frente ou para trás e, como grande parte dos nossos movimentos é para frente, as juntas se abrem na parte posterior. Freqüentemente, os discos que apresentam problemas se situam entre a última vértebra lombar e o sacro, e os discos da região cervical também são os localizados entre as últimas vértebras cer-vicais. Os discos da região torácica estão mais protegidos pelas costelas e o esterno, que tendem a limitar os movimentos.

    Tendo atingido a posição ereta, o homem inicialmente se deu bem, pois era musculoso e muito forte. Para viver, tinha que se defender dos animais maiores e só os mais fortes sobreviviam. Trabalhava muito para se alimentar, caçava animais, procurava raízes, folhas e frutas. Sua comida, quando encontrada, era muito substancial, dando-lhe as energias de que necessitava. Para vencer grandes distâncias à procura de alimento, tinha que caminhar e, quando aprendeu a montar cavalo, desenvolveu músculos ainda mais fortes para permanecer no animal sem sela e sem arreio.

    Hoje em dia, seu descendente não recorre à força para sobreviver. Fica sentado num escritório pelo menos cinco dias da semana, usando o cérebro ao invés dos músculos. E, quando seu corpo exige alguma atividade, se não está exausto demais, passa um ou dois dias praticando algum esporte. Isto significa que músculos flácidos subitamente passam a ser usados em um esforço ao qual não estão habituados e, por conseqüência, o esforço recai sobre as juntas.

    O homem moderno não caminha. Não tem tempo. Também não reserva um tempo para si e seus músculos!
    Quando obrigado a se locomover dentro de curtas distâncias, tem os movimentos tolhidos (especialmente a mulher) por roupas e sa-patos apertados, ou por uma pasta, bolsa pesada ou pacotes. Desta maneira, ao invés de andar a passos largos, fazendo pleno uso dos músculos das pernas e da parte inferior do tronco, coloca um pé na frente do outro, em passos curtos, concentrando todo o seu peso nos calcanhares.

    Seria interessante perguntar: o invento da roda não marcou o início da decadência física do homem?
    À medida que o transporte se tornou mais suave, com boas estradas e rodas pneumáticas, o homem começou a se recostar em posição inclinada, esquecendo que seus músculos devem ser usados não para permanecer a cavalo ou em uma carruagem, mas também para diminuir as vibrações do transporte moderno.

    Alongamento: benefícios para todas as idades.

    Os móveis modernos também têm seus defeitos. É certo que o homem inventou os móveis para atender à sua necessidade e conforto, de modo que, inicialmente, eram funcionais. Hoje, raramente servem para sustentar um corpo cansado, embora aparentem comodidade. Os móveis modernos usados para sentar são, em geral, prejudiciais à coluna.

    Sem dúvida, o homem moderno acredita gozar de mais conforto do que seus antepassados primitivos. Deixou de ser nômade, mora numa casa com móveis para se recostar. Tem uma grande variedade de alimentos obtidos facilmente e, embora engordem, são por ele muito apreciados – caso sua digestão o permita. Para locomover-se, tem amplas possibilidades de escolha, desde ser sacudido num ônibus até ser docemente transportado numa viagem aérea.

    Em relação a seus antepassados, dos tempos primitivos até cem anos atrás, o homem é fisicamente degenerado. Está privado da sensação agradável que um trabalho físico, com perfeita coordenação, lhe daria ao fim do dia. Seus ossos são ainda resistentes, seus músculos e ligamentos são flácidos e os nervos tensos. Sem bons músculos e sem ligamentos e cartilagens resistentes, não poderá evitar lesões de disco num corpo pesado demais, e com seus nervos muito sensíveis deve sentir a dor com maior intensidade ainda. Enfim, tempos modernos!

    A COLUNA VERTEBRAL
    A extensão da coluna vertebral assegura a colocação do alto do corpo! Ela é como uma árvore onde circula a vida. Assegura a proteção do sistema nervoso e serve de suporte para a cabeça e para a caixa torácica (sistema respiratório) que, por sua vez, oferece apoio para as escápulas, para as clavículas e para os braços. Essa região tem um papel capital para a facilidade do movimento e para a saúde do corpo. Se as forças centrais são bem agrupadas sobre o eixo central do corpo, elas se irradiam do solo e se dividem harmoniosamente por todas as partes do mesmo.