Dr. José Antonio de Oliveira
A Bulimia Nervosa é um transtorno mental que
se caracteriza por episódios repetidos de ingestão excessiva
de alimentos num curto espaço de tempo, seguidos por uma preocupação
exagerada sobre o controle do peso corporal, levando a pessoa a adotar
condutas inadequadas e perigosas para sua saúde, como provocar
vômito após se alimentar. A bulimia nervosa acomete preferentemente
mulheres jovens, num índice talvez maior que a anorexia.
As causas da doença são as mais variadas, desde genéticas
até psicológicas, sendo que as pessoas com tendência
à Bulimia geralmente demonstram um comportamento especial que
pode ser detectado desde cedo: comer compulsivamente em forma de ataques
de fome e às escondidas, em curto intervalo de tempo (2 horas);
preocupação constante em torno da comida e do peso;
condutas ina-propriadas para compensar a ingestão excessiva
com o fim de não ganhar peso (uso de fórmulas e remédios,
laxantes, diuréticos e vô-mitos auto-provocados); manutenção
do peso pode ser normal ou mesmo elevado; erosão do esmalte
dentário, podendo levar à perda dos dentes (ácido
estomacal); mudanças no estado emocional, (depressão,
tristeza, sentimentos de culpa e ódio por si mesma).
O desenvolvimento dessa doença também pode se dar a
partir de uma alteração psicológica devido a
uma situação estressante, como a perda de um ente querido,
insucesso na vida profissional ou estudantil, rompimento conjugal,
adaptação profissional ruim, mudança de cidade
ou de local de trabalho, relacionamento complicado com a mãe,
e outros.
A Bulimia parece ser mais prevalente em países ocidentais e
é claramente mais freqüente entre mulheres jovens, especialmente
aquelas pertencentes às camadas sociais mais elevadas destas
sociedades, o que fortalece sua conexão com fatores sócio-culturais.
Alguns pesquisadores entendem os Transtornos Alimentares como síndromes
ligadas à cultura. De acordo com esta concepção,
a pressão cul-tural para emagrecer é considerada um
elemento fundamental da origem desses transtornos, os quais, juntamente
com fatores biológicos, psicológicos e familiares acabam
gerando uma preocupação excessiva com o corpo, um medo
anormal de engordar e uma ansiedade marcantemente acompanhada de alterações
do esquema corporal.
TRATAMENTO
A primeira dificuldade do tratamento é convencer a pessoa bulímica
de que ela precisa de ajuda. Geralmente essas pacientes não
têm consciência da gravidade do caso, e a idéia
de ganhar peso lhes causa horror. A família deve tentar compreender
a situação e fazer com que o ambiente se torne agradável
à paciente, ao invés de simplesmente obrigá-la
a comer e não provocar vômito.
Os primeiros passos para a cura podem ser dados por um médico
generalista ou um pediatra, acompanhado por um psicólogo que
tentará modificar as idéias da paciente sobre seu corpo
e alimentação. O médico deverá encorajar
hábitos alimentares normais e metas para ganho de peso, sem
que este seja o único foco do tratamento. Na seqüência,
um psiquiatra que entenda do assunto, aliado a um nutricio-nista são
de grande valia. Se uma internação se tornar necessária
(não hesite, interne), é feita uma dieta hipercalórica,
correção de alterações metabólicas
e utilização de antide-pressivos, geralmente que tenham
como efeito colateral o estímulo do apetite.
Algumas pessoas recuperam-se completamente após um único
episódio, mas na maioria dos casos as recaídas são
freqüentes e um acompanhamento psicológico contínuo
faz-se necessário. Após o restabelecimento do peso ideal,
a paciente deverá manter uma alimentação saudável
e equilibrada, ingerindo um mínimo de 1200 calorias por dia,
distribuídas entre carboidratos, proteínas, frutas e
legumes.
Dr. José Antonio de Oliveira
(4586-7545) é psicólogo junguiano