EQUOTERAPIA - O cavalo, um aliado da saúde.


    Poucos sabem, mas o uso do cavalo em tratamentos para várias patologias físicas e em alguns problemas emocionais não é nada novo: data de 458-370 a.C. e já era aconselhado por Hipócrates, o ‘pai da Medicina’, no Livro das Dietas, para “regenerar a saúde e preservar o corpo de muitas doenças”.

    Carla: trabalho com equipe multidiciplinar

    No Brasil, diz a fisioterapeuta Car-la Cristina Natucci Zamboli, proprietária e coordenadora do Rancho Ferradura (4815-3899, 9430-0352), a Equote-rapia foi institucionalizada em 1990, com a criação da Associação Nacional de Equote-rapia, que habilita os profissionais de saúde e educação a trabalharem na área.

    “A Equoterapia é um método terapêutico baseado na prática de atividade eqüestre e técnicas de equitação. O trabalho é desenvolvido por uma equipe multidisciplinar, com profissionais de saúde, educação e equitação. O movimento rítmico, preciso e tridimensional do cavalo – que se desloca para frente/trás, para os lados e para cima/baixo ao caminhar – leva o praticante a acompanhar esses movimentos, tendo de manter o equilíbrio e a coordenação para movimentar simultaneamente tronco, braços, ombros, cabeça e o restante do corpo, dentro de seus limites”, explica a fisioterapeuta.

    O movimento do cavalo, é bom dizer, impõe ao praticante um movimento suave, ritmado, repetitivo e simétrico. E, para manter o equilíbrio, o tônus muscular deve se adaptar alternadamente ao tempo de repouso e de atividade. Ou seja, o praticante deve reconhecer uma atitude corporal pelo senso postural e então reajustar sua posição. Com isso, ele obtém uma melhor compreensão de seu esquema corporal.

    “É uma terapia corporal que mobiliza o praticante em todo o seu ser, e visa beneficiar os pacientes com autonomia motora e psicológica, permitindo que ele se adapte sozinho a diversas situações e descubra que o viver pode ser pelo prazer e não só pela repressão e sofrimento.

    Equoterapia beneficia pacientes com autonomia motora e psicológica.

    A Equoterapia é indicada para patologias ortopédicas (de problemas posturais a hérnia de disco lombar, de amputações a seqüelas de acidentes e má-formação), patologias neuromuscula-res (encefalopatia crônica da infância, acidente vascular cerebral, Parkinson, meningomioce-les, multiesclerose, epilepsia, hidrocefalia, síndrome de Down, entre outras), distúrbios mentais, alterações de linguagem, distúrbios emocionais, atraso maturativo do desenvolvimento, instabilidades psicomotoras.

    Entre os benefícios físicos e psicomotores, estão a melhora do equilíbrio, da coordenação motora, da postura, alongamento e flexibilidade muscular, consciência corporal, integração dos sentidos (os sistemas visual, oral, auditivo, tátil, proprioceptivo, vestibular e nutritivo são todos sistematicamente estimulados), funções cognitivas (de aprendizagem); fala e linguagem (os músculos responsáveis pela produção da fala são influenciados pelo movimento tridimen-sional do cavalo), melhora do apetite e respiração.

    Há ainda benefícios psicológicos, como o aumento da auto-confiança e da auto-estima (ter controle sobre o animal, maior e mais forte do que o praticante, faz com que a auto-confiança se processe, assim como a execução de pequenas tarefas com habilidades mais avançadas) e bem-estar (a terapia é realizada em um ambiente natural, ao ar livre, longe de hospitais, clínicas, da própria casa, e ajuda a promover uma sensação generalizada de bem-estar, o que é fator importante na recuperação).

    Em todos os casos citados, a Equoterapia tem alcançado bons resultados, diz Carla, acrescentando que o tempo mínimo de prática para analisar os resultados é de 6 meses.

    Já a Equitação, além de todos os benefícios de uma modalidade esportiva, traz ao praticante também todos os citados acima, decorrentes do ‘uso’ do cavalo.