Reflexões

Samira Aparecida Bana

Ao sairmos da universidade, um mundo novo se abre para nós, e a insegurança que isto nos traz muitas vezes faz com que lancemos mão de nos intitular DOUTORES disso ou daquilo. Uma ilusão às vezes é importante para correr atrás de ser um grande profissional, conquistar um espaço – aliás, todos nós um dia começamos...

Este artigo é apenas uma breve reflexão para aqueles que possam comungar comigo, de meu pensamento do quanto me custou internamente poder ser e me sentir um verdadeiro psicanalista.

O título de psicanalista, como também o de especialista, obtive há mais de 10 e 20 anos. Mas o verdadeiro ‘sentir-se psicanalista’ tenho tido o prazer de desfrutar a cada dia que vivo e a cada vivência que me toca a alma, quando essa é fruto de um verdadeiro encontro humano.

Cada novo encontro com o ser humano me propicia saber que minha compreensão sobre ele não está limitada somente aos textos lidos e estudados, mas está também na essência do sentimento despertado por nossa relação analítica.
Nesses longos anos pude colher não só os frutos profissionais, mas construir uma recente história de amizade, que transcendeu os limites do consultório, ou seja, finalizou-se um trabalho, mas, por sua ampla vivência emocional, transformou-se num profundo laço de amizade.

Samira Aparecida Bana (4586-7281) é psicóloga e psicanalista

E é esta amizade que me faz refletir as relações analista/paciente, pois os tratamentos procurados pelos pacientes não implicam em abolir os preceitos técnicos e éticos de forma a impos-sibilitar o trabalho analítico. Ao contrário, quanto mais neutros estivermos, melhor poderemos conduzir a análise de nosso paciente, ou seja, o trânsito pela sua mente, sua psique.

A relação analítica é construída pela possibilidade do ‘ENCONTRO’ entre eu (analista) e o outro, mas não um simples entrar e sair, como quem consulta um computador para relembrar a história do atendimento anterior. Deve ser um encontro no qual as expectativas de cada um (eu e o outro) se façam presentes, eu aceitando a sua, sem fazer da minha um desejo sobre ele, e deste emergir um novo conhecimento mais aprofunda-do e mais humanizado para ambos, que possa ser transformador para o paciente.

A possibilidade da construção de uma nova relação é o que nos torna capazes de desenvolver nossa própria forma de trabalhar e aprimorar a difícil, árdua mas encantadora empreitada de conhecer a cada dia um pouco mais da alma humana.