Dra. Sonia Maria B. Scarparo
O estado nutricional hoje no Brasil tem situações
bem distintas: por um lado, a obesidade infantil que está cada
vez mais presente nas regiões desenvolvidas e, por outro, um
grande número de casos de desnutrição em regiões
mais pobres do País.
No nosso meio, o que temos observado é realmente a incidência
cada vez maior da obesidade infantil, e isso se deve a vários
fatores: uso exagerado de fast food; oferta de porções
cada vez maiores, com ‘promoções’ para que
se consuma cada vez mais. Exemplo: pacote gigante de pipoca, refrigerantes
de 2 litros, iogurte tamanho família etc.
Há ainda a redução da atividade física
– entendendo-se como atividade física todo e qualquer
movimento que se faça. Hoje, não mais trocamos o canal
da TV indo até o aparelho, o telefone é sem fio, o celular
fica no bolso, não subimos mais escadas (vamos pelo elevador).
 |
| Dra. Sonia Maria
B. Scarparo é médica pediatra, da Clínica
Tibiriçá (4587-1779) |
Tudo isso somado leva a uma diminuição
importante da atividade física e, conseqüentemente, do
gasto calórico.
O caso específico da obesidade que atinge as crianças
logo nos primeiros anos de vida está se tornando uma verdadeira
epidemia, obrigando os pediatras a se preocuparem cada vez mais com
o Índice de Massa Corpórea de seus pacientes.
É comum nos depararmos no consultório com mães
de crianças de 2-3 anos de idade com a queixa: “Meu filho
não come nada”. Ao analisarmos o diário nutricional
desse infante, verificamos na maioria das vezes que a ingestão
calórica é muito superior às suas necessidades.
Normalmente, a mãe desconhece a diferença de velocidade
de crescimento nas várias faixas etárias e quer que
a criança continue comendo sempre igual (e bastante). Quando
isso não ocorre, começa a oferecer leite em excesso,
bolachas, guloseimas desnecessárias, insistindo para que ela
coma, criando assim vícios alimentares – e o que é
pior, muitas vezes usando estimulantes de apetite.
Baseados nesses fatores, o que temos feito hoje é a orientação
para o bom senso. Estas orientações, em linhas gerais,
são:
- Respeite a individualidade de seu filho. Ele não come todos
os dias de forma idêntica (a mesma quantidade);
- Não ofereça alimentos em excesso, nem guloseimas como
recompensa;
- Procure usar alimentos in natura, evitando os industrializados;
- Não exagere no tamanho das porções porque está
em promoção nas lanchonetes;
- Aumente a atividade física no dia-a-dia e, se possível,
faça exercícios (estimule a prática de esportes);
- Não deixe a criança comer na frente da televisão
e do computador;
- Estabeleça horários para atividades sedentárias;
- Procure programas em que a comida não seja o principal atrativo.
Cinema é para ver o filme e não para comer a pipoca
gigante;
- Toda a família deve participar;
- Não se pode querer que a criança não engorde
tendo o final de semana iniciando já na sexta-feira à
tarde com sorvetes e terminando na segunda à noite com o que
sobrou do churrasco do domingo.
Os beneficiados seremos nós mesmos, evitando que nossos filhos
desenvolvam precocemente hipertensão, diabetes e doenças
cardíacas, tendo assim uma qualidade de vida melhor.