Obesidade na infância e adolescência, uma verdadeira epidemia.
Elisete B.L. Neves e Iara R.S. Vieira

    A obesidade é uma doença orgânica, crônica, de origem multifatorial, resultante da combinação de fatores genéticos, dietéticos, ambientais, psicológicos e comportamentais. A obesidade em crianças e adolescentes tem aumentado de forma marcante nos últimos anos, fato que tem preocupado profissionais de saúde em diversos países.

    As grandes porções alimentares, o consumo de dietas altamente gordurosas e calóricas e a redução da atividade física são comportamentos que contribuem para o aumento da obesidade. As pessoas se movimentam cada vez menos, gastam menos energia e acumulam mais gordura no organismo.

    Nas últimas três décadas, o tratamento da obesidade se desenvolveu muito. O foco das pesquisas é o comportamento alimentar e os fatores que o determinam. Procura-se entender de que modo, ao longo da história do indivíduo, organiza-se a forma de lidar com o alimento.

    A psicologia comportamental considera a atitude alimentar como produto de um aprendizado: o comportamento se repete à medida que é reforçado pelas conseqüências que produz.

    A comida não serve só para suprir uma necessidade biológica, mas como resposta a tensões emocionais.

    O alimento é visto como gratificação substituta, equivalente de afeto, compensação ou recompensa e, na sua ausência, pode ser visto até como punição, abandono ou rejeição. O comer em excesso poderia ser um mecanismo de defesa para aplacar essa angústia, ou para enfrentar sentimentos de inadequação pessoal. O comportamento alimentar inadequado poderia ser um sintoma de alterações emocionais.

    O objetivo da psicoterapia comportamental é ajudar os pacientes a modificar seus hábitos alimentares, aumentar a freqüência de comportamentos saudáveis e ter mais consciência das atividades, ajudando-os, dessa forma, a fazer escolhas mais saudáveis.

    Elisete B.L. Neves e Iara R.S. Vieira são psicólogas clínicas com cursos de extensão em Transtornos Alimentares pela Unifesp (PROATA) e Centro de Estudos Avançados de Psicologia (C.E.A.P.).