Entendendo a depressão
Dr. José Maria Cayres Lopes

    Usamos o termo depressão como sinônimo de tristeza em nosso dia-a-dia. Por exemplo, quando dizemos: ‘Estou deprimido porque briguei com minha namorada’, ‘hoje acordei deprimido’, ’todo esse problema me deixou deprimido’ etc. Todas estas são reações normais aos problemas do cotidiano, que são passageiras.

    Quando há o humor triste, mas também vários sintomas cognitivos (no pensamento), comportamentais, físicos e emocionais, e esses sintomas são severos, crônicos ou ocorrem repetidamente e interferem nos relacionamentos pessoais ou na vida profissional, estamos diante da depressão.

    Os sintomas cognitivos (no pensamento) da depressão incluem auto-crítica, desesperança, pensamentos suicidas, dificuldade de concentração e negatividade generalizada.

    As mudanças comportamentais associadas à depressão incluem afastar-se de outras pessoas, não fazer tantas atividades prazerosas e agradáveis como de costume e ter dificuldade de iniciar atividades.

    Sintomas físicos associados à depressão incluem insônia, dormir mais ou menos do que o usual, cansaço, comer mais ou menos do que de costume e alterações de peso.

    Os sintomas emocionais que acompanham a depressão incluem sentimentos de tristeza, irritabilidade, raiva, culpa e nervosismo.

    Pode causar surpresa saber que esses sintomas são característicos da depressão. Algumas pessoas acreditam que problemas como sono, apetite, motivação ou raiva sejam algo à parte e que se somam à depressão. Mas, para a maioria, esses sintomas estão associados à depressão e um tratamento bem-sucedido resulta na melhora de todos os sintomas associados.

    Quando se está deprimido, tem-se:

    - Pensamentos negativos em relação a si mesmo (autocrítica): A pessoa se vê como defeituosa, inadequada, doente ou carente. Acredita que, devido a esses supostos defeitos, é indesejável e sem valor. Tende a se subestimar, a se criticar, e acredita que falta a ela capacidade para alcançar a felicidade e satisfação.

    - Pensamentos negativos em relação ao mundo (negatividade generalizada): A pessoa interpreta distorcidamente os acontecimentos que ocorrem à sua volta. Vê o mundo fazendo grandes exigências e/ou apresentando obstáculos insuperáveis para atingir suas metas de vida. Tende a focar os aspectos negativos de suas experiências mais claramente do que as situações positivas ou neutras. Por exemplo: quando se está deprimido, tende-se a olhar e a lembrar só artigos do jornal que relatam desastres, e a não lembrar os artigos sobre eventos positivos. Percebe-se os outros como sendo negativos, maus ou críticos.

    - Pensamentos negativos em relação ao futuro (desesperança): A pessoa imagina que o futuro será completamente negativo. Essa previsão ou antecipação de que os acontecimentos acabarão de forma negativa é chamada de desesperança. Exemplos desse tipo de pensamento: ‘Não serei bom nisso’, ‘Ninguém lá vai gostar de mim’, ‘Vou estragar tudo’, ‘Para que tentar? Nunca vou melhorar’. Em sua forma mais extrema, a desesperança pode contribuir para pensamentos suicidas.

    - A depressão quase sempre pode ser curada. O tratamento começa com o planejamento de atividades e/ou com medicação.

    O objetivo central do tratamento com a Terapia Cognitiva para a depressão é ensinar o paciente a testar pensamentos negativos através da revisão de todas as informações em sua vida – positivas e neutras, bem como as negativas. Aprender como avaliar os pensamentos negativos e a pensar de modos mais adaptativos orientados à realidade vai reduzir ou curar a depressão, pois as crenças disfuncionais que levam a pessoa a distorcer suas experiências e a desencadear os pensamentos automáticos negativos serão identificadas e alteradas.

    Dr. José Maria Cayres Lopes é psicólogo